Foto: João Paulo Burini
Estado contabiliza 6.647 casos prováveis de arboviroses em 2026, sendo 6.484 de dengue; 14 mortes pela doença já foram confirmadas
A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) alerta a população para a necessidade de intensificar as medidas de prevenção contra as arboviroses diante do aumento dos casos de dengue registrado no estado.
Até a 34ª Semana Epidemiológica de 2026, foram contabilizados 6.647 casos prováveis de arboviroses, sendo 6.484 de dengue, 158 de chikungunya e cinco de zika.
Os dados constam no Boletim Epidemiológico das Arboviroses, divulgado pela SES-PB e atualizado até 3 de setembro. De acordo com o levantamento, os casos prováveis de dengue apresentam aumento de 10% em comparação com o mesmo período de 2025. Já os registros de chikungunya tiveram redução, enquanto os casos de zika aumentaram 400%.
O estado registra ainda 14 óbitos confirmados por dengue em 2026.
Sorotipo 3 é o mais prevalente na Paraíba
Atualmente, o sorotipo 3 da dengue (DENV-3) é o mais prevalente na Paraíba. Os sorotipos 1, 2 e 3 estão em circulação no estado.
Segundo Carla Jaciara, técnica responsável pela Vigilância das Arboviroses da SES-PB, o cenário exige manutenção da vigilância e intensificação dos cuidados preventivos em todos os municípios.
“A população tem um papel importante no controle e na prevenção das arboviroses. É fundamental que os cuidados para evitar a proliferação do mosquito façam parte da rotina, principalmente neste período de maior sazonalidade”, destacou.
Prevenção deve começar dentro de casa
A principal forma de prevenção das arboviroses é impedir a reprodução do Aedes aegypti. Para isso, a população deve evitar o acúmulo de água parada, manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas, descartar corretamente objetos que possam acumular água e manter quintais e outros ambientes limpos.
Vasos de plantas, pneus, garrafas e recipientes expostos à chuva também devem ser verificados regularmente. A recomendação é reservar alguns minutos por semana para eliminar possíveis criadouros do mosquito.
O chefe do Núcleo de Fatores Biológicos e Entomologia da SES-PB, Nilton Guedes, destacou que o enfrentamento ao Aedes aegypti depende de monitoramento permanente e da atuação conjunta entre Estado e municípios.
Segundo ele, a SES-PB tem realizado capacitações e orientações junto às gestões municipais e às Regionais de Saúde, além de fornecer insumos para as ações de controle vetorial.
“Estamos apoiando os municípios e as regionais com capacitações, orientações e também com a distribuição dos inseticidas e larvicidas necessários para o enfrentamento ao Aedes aegypti. É importante que, a cada ciclo e a cada visita, os municípios identifiquem suas fragilidades para que possamos melhorar as ações de enfrentamento ao mosquito”, explicou.
Municípios terão de intensificar monitoramento
Para os próximos meses, a SES-PB orienta os municípios a ampliarem as ações de vigilância entomológica, seguindo o calendário de instalação e acompanhamento das armadilhas utilizadas para monitorar a presença do mosquito.
Na penúltima semana de setembro, os 223 municípios paraibanos deverão realizar o Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa). A atividade permitirá identificar as áreas com maior concentração de focos e direcionar as ações de controle.
A SES-PB também conta com o Laboratório de Entomologia, que auxilia os municípios na análise das pesquisas realizadas, incluindo a avaliação de ovos e mosquitos coletados nas ovitrampas e dos focos identificados durante o LIRAa.
Nilton Guedes reforçou ainda a importância das ações educativas e da participação de diferentes setores das administrações municipais.
“Jamais podemos esquecer da parte educativa, da educação, e de envolver outros setores da gestão municipal para apoiar o tratamento e o controle vetorial realizado pelos agentes de saúde”, ressaltou.
Saúde orienta população sobre sintomas
Além da prevenção dos criadouros, a SES-PB orienta a população a ficar atenta aos sintomas das arboviroses, que podem incluir febre, dor de cabeça, dores no corpo, dor atrás dos olhos, manchas na pele, náuseas e vômitos.
Em caso de suspeita, a recomendação é procurar um serviço de saúde e não se automedicar.
A busca oportuna pelo atendimento permite que o caso seja avaliado, notificado e, quando indicado, investigado por meio de exames laboratoriais. A coleta para realização do RT-PCR deve ocorrer, preferencialmente, entre o primeiro e o quinto dia após o início dos sintomas, com encaminhamento da amostra para a ULA-100, serviço de referência.
“É importante que o profissional de saúde esteja sensibilizado e qualificado para identificar todo caso suspeito de arbovirose e realizar a notificação. Para a população, é imprescindível procurar o serviço de saúde e não se automedicar, para que o caso seja identificado, notificado e a amostra seja coletada oportunamente”, explicou Carla Jaciara.
14 mortes por dengue foram confirmadas
Os 14 óbitos confirmados por dengue em 2026 foram registrados nos municípios de Alagoa Nova, Bayeux, Brejo do Cruz, Campina Grande (2), Camalaú, Guarabira, João Pessoa, Monteiro, São Bento (4) e Sumé.
A SES-PB reforça que o enfrentamento das arboviroses é uma responsabilidade compartilhada entre população, municípios e Estado. A eliminação de possíveis criadouros do Aedes aegypti, a atenção aos sintomas, a participação nas ações de controle e a busca oportuna por atendimento são medidas fundamentais para reduzir a transmissão e prevenir agravamentos.
