Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Com a liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central (BC) desde o fim de 2025, aumentaram as notícias e rumores sobre a saúde de bancos em funcionamento no Brasil. Nem sempre, porém, essas informações são corretas. Para consumidores e investidores, saber diferenciar alertas reais de fake news é essencial para proteger o dinheiro e tomar decisões seguras.
Existem ferramentas oficiais, indicadores públicos e sinais objetivos que permitem avaliar a situação financeira de um banco. Antes de agir por medo, a recomendação é consultar fontes confiáveis, analisar dados técnicos e desconfiar de mensagens alarmistas ou promessas exageradas. A informação de qualidade continua sendo a melhor defesa contra boatos e prejuízos.
Confira o passo a passo para verificar se uma notícia negativa sobre um banco procede ou se é apenas desinformação.
1. Verifique se o banco é autorizado pelo Banco Central
O primeiro passo é confirmar se a instituição é autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil.
Isso pode ser feito no site do BC, no caminho: Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição.
Instituições não autorizadas não podem operar no sistema financeiro nacional.
2. Consulte bases oficiais de dados
Três plataformas concentram informações confiáveis:
- Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), do Banco Central: acessível a partir do serviço Encontre uma Instituição (digitar o nome do banco → clicar no resultado → acessar a Central de Demonstrações Financeiras);
- Banco Data: organiza dados financeiros de forma didática, usando cores (verde, laranja e vermelho) para indicar o nível de risco dos indicadores;
- Relações com Investidores (RI): toda instituição autorizada pelo BC é obrigada a manter uma página de RI, com balanços e relatórios resumidos. Basta buscar o nome do banco seguido de “RI”.
Essas fontes permitem analisar balanços, resultados e indicadores de risco de forma transparente.
3. Avalie os principais indicadores de solidez
Alguns indicadores são fundamentais:
- Índice de Basileia: mede a relação entre capital próprio e riscos assumidos.
- Mínimo exigido no Brasil: 11% (13% para cooperativas);
- Índice considerado confortável: acima de 15%;
- Quanto maior o índice, maior a capacidade do banco de absorver perdas.
- Lucro líquido recorrente: lucros consistentes ao longo do tempo indicam boa gestão;
- Inadimplência da carteira de crédito: percentual de empréstimos vencidos há mais de 90 dias; níveis elevados são sinal de risco;
- Índice de imobilização: mostra quanto do capital está preso em ativos fixos; valores altos reduzem a liquidez;
- Rating de crédito: notas atribuídas por agências como Moody’s, S&P e Fitch. Rebaixamentos sucessivos merecem atenção.
4. Confirme a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, em caso de quebra da instituição.
São cobertos, entre outros:
- Conta corrente e poupança;
- CDB e RDB;
- LCI, LCA, LC, LH e LCD;
- Depósitos a prazo e operações compromissadas elegíveis.
Não são cobertos pelo FGC:
- CRI, CRA e debêntures;
- Letras financeiras como LF, LI e LIG;
- Títulos públicos (cobertos pelo Tesouro Nacional);
- Fundos de investimento, títulos de capitalização, depósitos no exterior e depósitos judiciais.
5. Desconfie de rentabilidades fora do padrão
Bancos menores costumam oferecer taxas mais altas, mas retornos muito acima da média indicam risco elevado.
No caso de CDBs, especialistas consideram 115% do CDI um limite prudente. Ofertas muito superiores podem sinalizar dificuldades de captação.
6. Fique atento aos sinais de alerta
Alguns indícios merecem atenção especial:
- Queda contínua do Índice de Basileia;
- Prejuízos recorrentes;
- Rebaixamento de rating;
- Investigações ou intervenção do BC;
- Ofertas agressivas de captação;
- Entrada em regimes especiais, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET).
7. Compare com investimentos mais seguros
Para reduzir riscos, especialistas recomendam diversificação e priorização de ativos mais seguros, como:
- Tesouro Direto, considerado o menor risco de crédito do país;
- CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos, com maior solidez e proteção do FGC.
Em um cenário de maior circulação de boatos, cautela, verificação de dados oficiais e análise técnica continuam sendo as melhores estratégias para proteger o patrimônio.
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