Foto: Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde iniciou na Paraíba o processo de transição do uso da insulina humana NPH para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa representa um avanço histórico no cuidado de pessoas com diabetes, ao incorporar um medicamento mais moderno, de aplicação única diária e com ação prolongada, facilitando a rotina dos pacientes.
Além da Paraíba, o projeto-piloto será implementado inicialmente no Amapá, Paraná e Distrito Federal. Nesta primeira fase, a estratégia contempla crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa é beneficiar mais de 50 mil pessoas no país, sendo cerca de 12 mil paraibanos.
Distribuição do medicamento
Para viabilizar a iniciativa, a Paraíba receberá 13,9 mil canetas de insulina glargina. Desse total, 3 mil serão destinadas à capital, João Pessoa, enquanto 10,9 mil serão encaminhadas à Secretaria de Estado da Saúde para distribuição aos demais municípios.
A capacitação dos profissionais de saúde da rede estadual para a transição do tratamento ocorreu no dia 30 de janeiro, preparando as equipes para o uso adequado do novo medicamento no SUS.
Avanço terapêutico no SUS
A insulina glargina possui ação prolongada de até 24 horas, contribuindo para maior estabilidade dos níveis de glicose no sangue e reduzindo a necessidade de múltiplas aplicações diárias. A substituição será feita de forma gradual, conforme avaliação clínica individual de cada paciente.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida está alinhada à política de fortalecimento do complexo industrial da saúde.
“A expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da importância do fortalecimento do nosso complexo industrial. Depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país, garantindo segurança aos pacientes”, destacou.
Na rede privada, o tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250 a cada dois meses, o que reforça o impacto social da ampliação da oferta gratuita pelo SUS, alinhada às melhores práticas internacionais.
Desenvolvimento tecnológico e produção nacional
A ampliação do uso da glargina no SUS é resultado de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre o laboratório público Bio-Manguinhos/Fiocruz, a empresa brasileira Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee. A parceria prevê a transferência de tecnologia para o Brasil, fortalecendo a autonomia nacional na produção de medicamentos estratégicos.
Somente em 2025, mais de 6 milhões de unidades da insulina glargina foram entregues ao SUS, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é alcançar, até o fim de 2026, uma capacidade produtiva de 36 milhões de tubetes.
Além disso, o Ministério da Saúde também mantém parcerias para a produção nacional de insulina NPH e Regular, envolvendo a farmacêutica indiana Wockhardt, a Funed e a Biomm, com previsão de entrega de 8 milhões de unidades até 2026.
Monitoramento e expansão gradual
A transição é resultado dos trabalhos do Grupo de Trabalho da Insulina, criado em novembro de 2025, que avaliou alternativas diante do cenário de escassez global de insulina. O processo será acompanhado por monitoramento contínuo, capacitações e análise de dados para subsidiar a expansão do programa aos demais estados.
Os treinamentos, realizados em parceria com a Fiocruz e a Biomm, começaram em 27 de janeiro e seguem até meados de fevereiro, abordando o uso correto das canetas aplicadoras e a administração adequada do medicamento.
Atendimento integral às pessoas com diabetes
O SUS garante assistência integral às pessoas com diabetes, desde o diagnóstico até o tratamento contínuo, por meio da Atenção Primária à Saúde. Atualmente, a rede pública oferta insulinas humanas NPH e Regular, insulinas análogas de ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais, conforme a necessidade clínica de cada paciente.
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