Foto: Renato Pizzutto/Band
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceitou as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para ampliar a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos no âmbito da disputa presidencial. A resposta da equipe petista está prevista para esta quinta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A informação foi confirmada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação política da campanha de Lula. Segundo ele, o presidente não se opõe às exigências adicionais, desde que Flávio também autorize a abertura integral das informações solicitadas pela campanha adversária.
“Sobre a proposta de Flávio Bolsonaro, com algumas condicionantes, o presidente Lula não se opõe em nada, desde que Flávio apresente tudo também”, afirmou Camilo Santana.
A discussão começou depois que Lula autorizou a abertura de seus sigilos e dos dados de familiares, condicionando a medida à adoção de procedimento equivalente pelo senador. Flávio concordou com a proposta, mas apresentou uma lista ampliada de exigências, que inclui pessoas próximas ao presidente, empresas e registros da administração federal.
Exigências incluem ex-assessor e Instituto Lula
Entre os pontos apresentados por Flávio Bolsonaro estão os dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete de Lula.
O pedido também envolve assessores, auxiliares e seguranças que utilizavam linhas telefônicas para atender o presidente. A solicitação prevê a análise de informações referentes aos últimos oito anos para determinadas pessoas.
Outro ponto é a ampliação do período de apuração. Enquanto a proposta inicial de Lula estabelecia um recorte de oito anos, a petição de Flávio solicita informações que remontam a 2003, incluindo registros de familiares, empresas e pessoas ligadas ao Instituto Lula.
Entre os nomes e entidades citados estão Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, outros filhos do presidente, o Instituto Lula e Paulo Okamotto. A petição também menciona empresas e relações financeiras que, segundo o documento, deveriam ser incluídas no levantamento.
As referências a investigações e suspeitas apresentadas no pedido não constituem, por si só, comprovação de irregularidades.
Pedido inclui informações sobre o Banco Master
A lista de exigências também abrange registros relacionados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
Flávio solicita informações sobre visitas de Vorcaro à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, registros de voos de uma aeronave atribuída ao empresário e dados de reuniões realizadas no Palácio do Planalto.
O pedido inclui ainda registros de entrada de Vorcaro, de intermediários e do ex-ministro Guido Mantega em órgãos federais, além de informações relacionadas a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.
As solicitações envolvem diferentes tipos de registros e períodos de tempo, cuja abrangência depende do conteúdo formal da petição apresentada ao TSE.
Exigências alcançam investigações sobre o INSS
Outro conjunto de pedidos trata das investigações sobre possíveis fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no contexto da Operação Sem Desconto.
A petição menciona a empresária Roberta Luchsinger, a empresa RL Consultoria e Edson Claro, além de solicitar informações financeiras e registros de acesso a prédios públicos e de deslocamentos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
O documento também inclui pedidos relacionados a José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão de Lula, e ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi).
As informações solicitadas abrangem sigilos pessoais e empresariais, além de registros administrativos. A inclusão desses nomes no pedido não significa que todos os citados sejam investigados ou tenham cometido irregularidades.
Cartão corporativo e agenda da primeira-dama
Flávio Bolsonaro também pede acesso a informações sobre despesas do Cartão Corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023.
A lista inclui registros da agenda da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, visitas ao Palácio da Alvorada, despesas da residência oficial e utilização de helicópteros da FAB.
O senador também solicita informações que possam esclarecer a presença de pessoas em prédios públicos e a realização de reuniões com integrantes do governo federal.
Disputa por transparência antes do segundo turno
A controvérsia sobre a abertura dos sigilos ocorre nos últimos dias da campanha presidencial. O segundo turno está marcado para domingo (25), conforme o calendário eleitoral de 2026.
Na proposta inicial, Lula autorizou a abertura de seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos referentes aos últimos oito anos, estendendo a iniciativa à primeira-dama, aos filhos e a uma empresa ligada ao presidente. A medida foi condicionada à adoção de procedimento equivalente por Flávio Bolsonaro.
O senador apresentou exigências adicionais, incluindo dados do ex-assessor Marcola, do Instituto Lula e informações sobre despesas e registros da Presidência.
Com a aceitação anunciada por Camilo Santana, a campanha petista prevê formalizar a resposta no TSE nesta quinta-feira (22). A posição de Lula, segundo o senador, é que a abertura das informações seja recíproca e contemple os dados exigidos de ambos os candidatos.
