Foto: Paulo Pinto e Fernando Frazão/ Agência Brasil
A disputa pela Presidência da República em 2026 ganhou novos contornos neste domingo (16), quando quatro dos principais nomes que se colocam na corrida eleitoral realizaram atos políticos em diferentes regiões do país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, para iniciar sua mobilização pela reeleição. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, em um ato marcado pela defesa do legado de Jair Bolsonaro.
Também deram início à mobilização eleitoral o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Os quatro apresentaram discursos com diferentes prioridades, passando por temas como segurança pública, direitos das mulheres, política externa e unidade da direita.
Lula resgata história sindical e destaca pauta feminina
Em São Bernardo do Campo (SP), Lula realizou um comício no Estádio da Vila Euclides, local histórico das greves do movimento sindical no final da década de 1970.
O presidente utilizou um chapéu durante o evento em razão de um tratamento de radioterapia para um câncer de pele. No início do ato, foi exibido um vídeo no qual Lula lê uma carta escrita para si próprio em 1979.
Na mensagem, o presidente relembrou sua trajetória política e afirmou que, décadas depois, conseguiu chegar à Presidência e disputar novamente uma eleição.
A defesa dos direitos das mulheres e o combate à violência de gênero estiveram entre os principais pontos do discurso.
“Mulheres desse país, não baixem a cabeça nunca, porque os homens têm que aprender a respeitar vocês”, afirmou Lula.
O presidente também fez críticas ao governo anterior e voltou a responsabilizar a gestão passada por mortes ocorridas durante a pandemia de Covid-19. Em seu discurso, Lula afirmou que pretende impedir o retorno da direita ao comando do país.
Flávio Bolsonaro aposta no legado do pai
No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro reuniu apoiadores na praia de Copacabana. Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), o ato contou com aproximadamente 8,9 mil pessoas.
O senador apareceu usando um colete à prova de balas e uma camiseta com a frase “O Brasil vai vencer”, escrita com batom por sua esposa. A mensagem fez referência a uma manifestante condenada pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Ao falar sobre a comparação com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio utilizou uma metáfora relacionada ao futebol.
“É difícil comparar o Pelé com o filho do Pelé, mas estou aqui com toda humildade”, afirmou.
Durante o ato, o senador prometeu que, caso seja eleito presidente, pretende trazer de volta ao Brasil pessoas que considera “exiladas” por perseguição política. Entre os nomes citados estão o ex-deputado Alexandre Ramagem e o deputado Eduardo Bolsonaro.
Na área de segurança pública, Flávio defendeu uma postura mais dura contra organizações criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, que pretende classificar como organizações terroristas.
O senador também criticou a atuação do governo federal na área de segurança e afirmou que o Estado perdeu capacidade de enfrentar o crime organizado.
Caiado coloca segurança pública no centro do discurso
Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado iniciou sua mobilização eleitoral com uma carreata em Águas Lindas de Goiás.
O candidato do PSD concentrou o discurso na segurança pública e na experiência administrativa acumulada durante sua gestão no estado.
“Vou devolver o Brasil aos brasileiros de bem”, declarou Caiado.
O governador também se apresentou como um dos principais nomes de oposição ao governo Lula entre os atuais governadores com mandato.
Durante o evento, Caiado comentou declarações recentes de Gilberto Kassab, seu vice, relacionadas a um possível apoio do Centrão ao presidente Lula. Segundo o governador, as declarações foram interpretadas de maneira equivocada.
Zema defende união da direita
Em Minas Gerais, o ex-governador Romeu Zema iniciou sua mobilização após participar de uma missa em Montes Claros.
O candidato do Novo destacou sua experiência no setor privado e na administração pública e direcionou parte do discurso à política externa brasileira.
Zema criticou a aproximação do governo Lula com países como Cuba e Venezuela e defendeu uma relação mais próxima com os Estados Unidos.
O ex-governador também fez um apelo pela união dos partidos e grupos políticos de direita para a disputa presidencial.
Ao comentar a possibilidade de uma candidatura unificada em um eventual segundo turno, Zema citou as eleições no Chile como exemplo e afirmou: “No segundo turno, toda a direita vai estar unida”.
Disputa presidencial começa a ganhar forma
Com os atos realizados neste domingo, diferentes grupos políticos começaram a intensificar a apresentação de suas propostas e estratégias para as Eleições 2026.
Embora o cenário eleitoral ainda possa sofrer mudanças até a definição oficial das candidaturas, os discursos apresentados por Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema indicam algumas das principais pautas que deverão dominar a disputa: segurança pública, combate à violência, política externa, direitos das mulheres e a polarização entre esquerda e direita.
